quinta-feira, 15 de março de 2012

DIA NACIONAL DA POESIA

Pois bem....

Isso andeja por um caminho que se alonga em sua academicidade, em suas discussões e propostas...

A constatação mais pessoal que encontrei para  mostrar minha definição de poesia, sinteticamente, foi: JANELA.

Pois bem, aí se perguntam alguns, de fato: Que diabos é isso?!
Janela, sim. Ora, quem se debruça sobre uma poesia, com olhos – muitas vezes – de estranhamento, de distanciamento, mas com boa intenção, haverá de desembocar numa janela de acasos.

Empresa tortuosa a dos poetas: abrirem janelas a quem resiste em não vê-las.

Por minha maneira, em verso ordinariamente simples, homenageio estes ilustres que abrem janelas pra dar graça e cor aos olhos de dentro da gente.

Arriscar-me-ei no terreno dos mestres, com sinceridade. Desculpem possíveis deslizes. O horário me é extremo, já que agora são 5 da manhã.



Balada ao poeta da sétima estrela

A janela entreaberta,
Mal e mal, deixa vaza;
A luz débil acerta
Uma das salas da casa.

O raio findo da tarde
Invade o interior da sala:
Átimo de serenidade,
Em que até o silêncio cala.

O ácaro dançarino,
Sob o lume da fresta,
Faz do facho,em desatino,
O palco que a luz empresta.

O vento soturno,
Aproveita a ocasião:
Na troca dos turnos,
Faz a sua composição.
O dia cedeu returno
Para a noite dar vazão,
Imprimindo sons noturnos
Na casa da invenção.

A sala desabitada,
Viu o soprar da ventania
Desfolhando a papelada
De cima da escrivaninha.
Quem será que, agora,
Ocupa'sta moradia?
Com telhados de aurora
E estrelas fugidias?!

Que será que lá dorme
Em catres de insônia?!
Com colchas tão disformes,
Petalada de begônias?!

Quem será que lá come
Aquele estranho suprimento?
Como se a própria fome
Se enfartasse do alimento.
Com sabor de tempo inverso
E um tempero mais forte:
É uma ceia feita em versos,
Dos que engabelam a morte.

Quem será que lá vive,
Nesta irreal condição?
E com quimeras convive,
Em consórcio co'a solidão.

Vive, assim,  tão louco, a esmo?!
A recitar para as estrelas
Que queria em si mesmo,
No céu dos olhos, contê-las?!

Quem será este cativo,
Que nos olhos tem um céu?
Que juraram que está vivo,
Eternal nalgum papel?!

Quem será este homem,
Que anda livre pelos versos?!
Que em si mesmo consome
A imensidão de universos.

Só que a casa está sem dono,
Sem o último residente...
Às traças, em abandono,
Em ruína decadente.

Por que dizem , pelas ruas,
Que lá mora uma PESSOA?!
Que bebe sonhos nas luas,
E se embriaga de garoas.

Que vive em todos lugares
Nos canteiros, nos QUINTAIS,
De quintanas, quintanares,
Pelos livros, nos jornais?!

Há na boca de entendidos
Um prudente discurso:
Como se o desconhecido
Tivesse mudado o curso.

Será que, por acaso,
Nesta casa ainda mora?
Não, ele reside nos ocasos,
Pendulando vida afora. 

A cada vez que proclamam
O seu legado invisível,
E até mesmo declamam
Sua vertente sensível.


Então, no entendimento,
Descubro do que  era feito:
De átomos de esquecimento,
 Mas resistente a este efeito.

O tempo apaga a matéria,
Mas perpetua talentos.
Pois na alma tem artérias,
Aonde correm seus inventos.

Não ficou para semente,
No impulso temporal.
Era gente como a gente,
Mas com ímpeto imortal.

O segredo vem eufórico,
Aos poucos, se descortina:
Há um ser fantasmagórico,
Por de trás das cortinas?!

Não! Está sombria, de fato,
Mas é desfeita de habitante.
A casa tem um contrato,
Só com os  livros da estante!

A residência era antes,
Abrigo de um só apenas:
Hoje, serve pra Cervantes,
Neruda,Machado, poemas...


Suspeitam que o morador
Fosse louco ou sinistro...
 Um recluso, um doutor,
Comensal  e até ministro.
Um gênio, uma escrava,
Uma duquesa dileta:
Na verdade, não passava,
Apenas de um poeta.

A papelada que a ventania
Espalhou por entre cantos,
Era o santuário de poesias
Do ilustre do recanto.

Dizem que ele persiste,
Pulsando em cada tema.
Que sua alma só insiste
Em renascer no poema!

E o suspiro final em cena, 
Veio à boca, por maleza;
Sua mão, firma co'a, pena,
Deixou-se cair na mesa.

Ao espirar, deixou escrito
Seu desejo nos poemas:
Queria viver proscrito,
Em sua sétima estrela.


                                                      Guilherme Suman

DIA DA POESIA






TODO DIA É DIA DE POESIA!


A poesia, arte escrita, textual, planificada em sua composição física. Uma das sete artes da humanidade, validando-se da própria linguagem para elevar-se ao status de arte.
O resultado é que foge ao físico, pois – intencionalmente-  a poesia é uma projeção estética que promove  fruição,  gozo pleno, elevação das idéias.

Há inúmeras maneiras de compreender e compor este tipo de texto, há particularidades, há influências estéticas – de acordo com as absorções culturais de dada época, período. Há, ainda, distintas maneiras de diferenciar poesia, a partir de seus tantos gêneros classificatórios.
Nem por isso, por outro lado, a compreensão de tal arte fica ao encargo de manuais, estatutos, como se a poesia fosse uma espécie unilateral de texto, propondo apenas uma única realização. Pode-se extrair diversas intelecções.

A poesia a partir da sua expressão lingüística, sua ligação  indissociável com a comunicação , aquém do aspecto artístico, possui uma estruturação, uma(des)construção bem definida,empreendendo sonoridades, musicalidades, contextos, " A poesia é a arte de comunicar a emoção humana pelo verbo musical"( René Waltz, apud Massaud Moisés, A Criação Literária - Ed.Cultrix).




                                                               Guilherme Suman

sábado, 3 de março de 2012

SE EU SOUBESSE O QUE DIZER, DIRIA EM PROSA





Este é o livro primogênito do meu amigo e colega, Lucas Reis Gonçalves. 

Um poeta infante, um novo prosador, uma descoberta; Lucas inicia seus passos no mundo literário com este livro diferenciado.

 Então, neste convívio na UFRGS, nesta amizade rapidamente conspirada, este jovem escritor me honra com o convite para apresentar sua primeira obra! Além, me intima para também fazer a orelha e a contra-capa. Evidentemente, com muita responsabilidade e inspiração, naveguei em seus versos,frases e me inteirei de seu micro-cosmo, suas escrituras. Assim, eu participo familiarmente da revelação deste Rei(s) que aproveita para olhar as coisas de maneira simples, bonita e sincera.

A foto da capa é outra manifestação de arte do amigo Luca,s pois além de um poeta "bem poeteiro"( como o próprio se permite alcunhar), o rapaz é um sensível fotógrafo.

Aqui, deixo um dos meus 3 textos que integram o Livro de Lucas. 
Ao passo, vou registrando, também, o trabalho desse e de outros irmãos.


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Sinopse do Livro:


Há um jeito atual, singular de encarar poesia neste Se soubesse o que dizer, diria em prosa, onde o poeta-prosador, Lucas Reis Gonçalves, investe no cotidiano, nos temas incomuns ao lirismo tradicional, para atrair seu leitor até uma estimulante viagem por entre ruas da imaginação.


 A poesia no limiar da prosa ganha voz e vez neste livro, com rápidas intenções de absorver-nos para seu particular universo de sentidos e sensações. Ler é ser tragado para o miolo da obra, é ser entregue por inteiro. Por isso, com a mão de Lucas, somos guiados até um turbilhão de idéias, certificando ao poeta que soube, enfim, com a inspiração e a conspiração de seus versos, dizer o que queria. 



A audácia fica por conta da irreverente plástica de sua poética, uma nova verdade onde o prosaico tem vida (não como dia vencido, mas sim como atento olhar sobre as coisas simples de nós mesmos); onde o leitor se identifica e, ao mesmo tempo, toma partido em seus conflitos humanos, ideológicos e espirituais. 


Se soubesse o que dizer, diria: 


- Leiam este tal Lucas, pois não haverá página que não tenha bons motivos pra dizer isso.



Guilherme Suman


sexta-feira, 2 de março de 2012

ABRINDO OS TRABALHOS

Inauguração....

  
Olá, povo! 
       Adentremos, meus caros, neste fértil campo da criação!

   Abro este espaço para o livre exercício da opinião, convidando todos para participarem, cada qual a sua maneira.


   Aqui, livremente, postarei alguns textos sobre Literatura, Cinema,Música, Teatro e cultura geral.

  Com destaque para as obras literárias que serão meu fiel cotidiano este ano. Oras estas que serão trabalhadas em minhas aulas para preparação dos vestibulares que estão por vir.

Acompanhe algumas críticas, dicas e propostas!

 Lembro-lhes que - algumas vezes- tomarei meu próprio partido para a análise, portanto, fiquem livres para o debate.
A casa é nossa!!

Sejam bem-vindos.

Atenciosamente,
                  Guilherme Suman