sábado, 19 de maio de 2012

O TEMPO E O VENTO - RESUMO E CINEMA


Nobres visitantes!

No meio das postagens do meu amigo Rodrigo Ugaretti,  que viverá o Padre Lara Jovem no filme O Tempo e o Vento, encontrei um link bacana.





Fotos do set de filmagem!


De muito bom gosto o trabalho fotográfico e dá um baita panorama estético do que se configura no imaginário de leitores ou ouvintes  da história em que o romance histórico de Érico Veríssimo se apresenta.

A plasticidade das imagens, por sua vez, produz uma sensação de que estamos diante de um épico da Literatura - sem dúvida- se revelando um épico do cinema nacional.

Os envolvidos são da melhor qualidade: elenco, produção e roteiro estão em mãos mágicas!

Confiram e aguardem esta película!







O TEMPO E O VENTO - breves aspectos 

Tempo = passagem, destruição = idéia traduzida para a figura do Homem.

Vento = permanência, memória = idéia traduzida para a figura da Mulher.

Mulheres gaúchas ( acostumadas a subordinação matrimonial. Porém, são destemidas; em tempos de guerra, assumem compromissos e gerenciam grandes propriedades, por exemplo, na ausência do marido que serve em combate. E ainda esperam em silêncio e prontidão.Costurando silêncios e , através da evocação causada por noites de ventania ou ventos costumeiros, cumprem o dever de constância do clã: lembram dos mortos, por exemplo, como que trazendo-os para o protagonismo das recordações, permanecendo o elemento familiar, a tradição).


O romance de Érico trata-se de uma trilogia ( O Continente, O Retrato e o Arquipélago) em que a história do Rio Grande do Sul , por sua vez, será contada sob o drama, os dilemas de famílias específicas e ficcionais, mas abordando eventos históricos desde a fundação da classe estancieira, a elite rural que move a engrenagem política e social do Estado, até a atmosfera do governo Vargas. 
São 200 anos de constituição de uma região provinciana, de fronteira - por isso, alia-se a idéia de um Estado constantemente envolvido em conflitos militares - caracterizando o povo sulino como propensos ao comportamento agressivo, bélico, guerreiro.

A identidade patriarcalista alicerça os fundamentos morais e culturais da sociedade gaúcha. 

Em uma cidade fictícia, Santa Fé, o AUTOR concentrará sua crítica - sendo expositivo, esclarecido, não negativando - ao tipo de conduta machista, violenta, dúbia que o os membros da elite representam.

No início, "O Continente", figuração representativa da unidade familiar, do elemento sólido, nos lança nas missões jesuíticas, durante as guerras guaraníticas; evento em que a União Ibérica - formada por Portugal e Espanha - em acordo estabelecido- pretendem retomar as reduções dos padres da ordem jesuíta( ambientados em reduções: tipos de micro-comunidades, de caráter de conduta coletiva.Os indígenas, desde o descobrimento, foram desarticulados de sua cultura elementar e absorvidos para a cultura ocidental europeia.Nas reduções, por exemplo, eram membros ativos da comunidade jesuítica, ajudando em ofícios, vestindo roupas, cumprindo ritos cristãos, promovendo a monogamia - alguns elementos que são plenamente diferente daquilo que estavam aculturados).

Ao passo da trama, o tempo avança e revela diversos hábitos da cultura e da mentalidade da região sulista; muitas vezes, aliada a intolerância e a um excesso de códigos de honra masculinizantes , baseados em uma moral rígida e patriarcal( como o mando de assassinato do índio Pedro Missioneiro pelo pai de Ana Terra, uma das mulheres mais expressivas da trama e representante maior do esteriótipo da figura feminina dos pampas,  a mulher amada pelo indígena.A execução veio pela mão dos irmãos de Ana pelo fato de Pedro ter engravidado-a).

O fruto deste romance clandestino será Pedro Terra. 

Pedro adulto, por sua vez, é pai de Bibiana Terra e Juvenal Terra.

Bibiana, outra grande personagem feminina de Érico, por seu turno, será atraída pelo distinto e singular Capitão Rodrigo - um dos mais antológicos personagens da Literatura Brasileira.

O capitão, um tipo errante, que , historicamente, como o termo gaúcho, pertenceria a um grupo inferiorizado, desvalido,pária social - ao contrário - é para o romance, então, uma espécie de herói; além, uma espécie de anti-herói.

Mesmo o capitão Rodrigo, uma figura bonachona, charmosa, viril, libertária, por sua vez, apresenta contrastes negativos que o legitimam como membro da perspectiva volátil do homem rude do pampa: aquele indivíduo combativo, dado aos vícios e transgressões sociais, como nos adultérios e jogos de azar.


Da união de Bibiana Terra e Capitão Rodrigo Cambará - o tipo macho que servirá na revolução Farroupilha, sendo amigo íntimo de Bento Gonçalves - se dará o clã principal da obra: a família Terra-Cambará.

A partir deste eixo, se destrincham outros grandes personagens, como Bolivar,Juvêncio Toríbio, doutor Rodrigo e Floriano
( membros destas raízes ancestrais e comportamentais dos Terra-Cambarás).



O início do livro é anacrônico; nos lança ao Sobrado, reduto em que se sucederá a noção de ciclo do romance, sendo o Continente começado e findado nesta mesma cena e ,enfim, no Arquipélago, final da trilogia - também retomada as circunstâncias acerca do tal Sobrado.Aqui, temos Bibiana já velha e Bolivar, seu filho, adulto, sitiados-  com demais membros da família, como a misteriosa e sado-masoquista esposa de Bolivar, que fora disputa por ele e seu melhor amigo e primo, Juvêncio, na adolescência, Luzia Silva, em pleno conflito civil na cidade de Santa Fé. Luzia é vista pelo Dr.Winter, um cidadão esclarecido e que se permite observar de fora os fatos acerca de Santa Fé da família do Sobrado, de forma metafórica, como a personificação da lenda Teiuiaguá pelo seu afetamento sadista,enfim.

As técnicas de Érico são singulares: uso de Intermezzos - inserções recortadas e poetizadas na prosa para apresentar rápida e efetivamente, por exemplo, alguns personagens menos centralizadores / contrapontos / flash-back's.


Em "O Retrato", Dr.Rodrigo, filho de Licurgo, neto de Bolivar, assume a herança do clã. É pintado sob boas tintas no começo, tendo se formado em Medicina no RJ. Regressa para Santa Fé e representa a mudança; comprometesse com assistencialismo, é benevolente e politizado, convergindo uma certa liderança na região. Porém, a imoralidade - a partir de sua corrupção pessoal, de adultérios, por exemplo, comprometem seu retrato - pintura feita pelo amigo espanhol, Pepe Guerra, e exposto no sobrado.Ao fim, seu retrato já não parece o mesmo do começo, sendo aliançado com a idéia da subversão de Dr.Rodrigo( homônimo de seu antecessor, o Capitão, a partir do fascínio de seu pai pelas estórias sobre o ilustre Rodrigo Cambará, um homem dos quatro costados, contadas pelo singular Fandango - um peão da estância do Angico, um reduto da família para momentos de férias e afins).

Por fim, " O Arquipélago", destoando de Continente, representa a dissolução da família, a fragmentação. A ideologia de Dr.Rodrigo,no início do tomo anterior, dá vazão ao corrupto e degenerado Dr.Rodrigo em instantes finais de sua vida. 
Sua relação com um de seus filhos, Floriano Cambará, se revela intrincada, distante e tensa. O rapaz representa a subjetividade que falta aos antecessores desta família caudilhesca dos confins do pampa. Dr Rodrigo representou, antes, uma alma caudilha com vultos intelectuais, mas deu espaço ao mais questionável comportamento. Porém, seu filho é um escritor, mais íntimo com a conduta das mulheres da família, que passa por crises amorosas e bloqueios criativos. Seus fantasmas estão aliados a falta de argumento emocional para com o pai.A distinção se dá , justamente, pela oposição sentimental. 
Por fim, Floriano se desvela como alter ego do próprio autor, como compromissado em levar à cabo um romance que pregue a memória de seus antepassados; a idéia é contar a história de sua família, impregnada de elementos históricos, para conservar a identidade dos seus. Eis que, após acerto de contas afetivos para com o pai - já debilitado em um hotel, vivendo com uma das amantes, Floriano expurga seus demônios existenciais e se permite a confecção de um romance com traços já descritos.Então, a cena final retoma a cena do Sobrado e o que o Cambará - o único que quebra com a perspectiva dos demais - está escrevendo é nada menos do que o próprio romance que se anuncia no prelúdio da obra.


DOM CASMURRO - BENEFÍCIO DA DÚVIDA



Seguinte: fui interrogado por alunos acerca da entrevista do professor Nailor Marques Junior (no Programa do Jô), no dia 4 de Maio. A interação do palestrante é dinâmica, sagaz, informada; percebe-se a articulação magnífica do referido professor. Porém, no término da conversa, o convidado - ao ser questionado sobre o tema do adultério em Dom Casmurro (como podem ver no link que disponibilizo sobre o caso), por sua vez, ATESTA a inocência de Capitu. Bem, como visto em aula, meus caros, reafirmo: o tema condutor da trama, sem dúvida, é o ciúme patológico de Bento Santiago, o Bentinho (como era conhecido afetivamente). Ainda, pelo caráter narrativo em que o próprio Dom Casmurro (alcunha adquirida por Bento ao ser, em sua velhice, um homem recluso, ranzinza...) narra os fatos de sua vida, em forma biográfica, não há confirmações de adultério!



A partir de uma obra na qual seu olhar se debruça para autoanalisar e compreender em que ponto, por fim, deu-se a tragédia de sua vida, Bento é o NOSSO ÚNICO ângulo, verificando a verossimilhança dos acontecimentos;  são as lentes que o narrador nos empresta para estudarmos os casos. Então, há uma parcialidade plena em Dom Casmurro: quando um narrador se condiciona em contar eventos sob a visão dele, apenas! Não temos outra perspectiva,. Isso, por seu turno, reforça o condicionamento de dúvida quanto ao adultério que Bento expõe e busca a adesão do leitor. Nós, leitores ávidos, nos questionamos, pois o olhar de Bento (ao legitimar a traição na qual ele se apega para explicar seu declínio existencial - justamente pela união de seu melhor amigo, Escobar, e sua esposa amada) se confronta com a inconclusividade de provas factuais para que fique clarividente a questão da traição.Portanto, o romance machadiano repercute no imaginário do público leitor, evidentemente, com proposta vinculada nestas dúvidas e partidos tomados.


O professor Luís Augusto Fischer , esta semana, lembrou-me de que nos anos 60,70, por exemplo, no predomínio da visão machista, alguns críticos confirmavam a traição. Ainda, o professor Paulo Seben , informalmente, remeteu-me ao texto de Helen Caldwell, autora que compara Machado de Assis ao grande Willian Shakespeare em virtude literária e temática (Otelo X D.Casmurro) que recupera a conduta de Capitu, personagem feminina expressiva do romance, tornando-a vítima do comportamento excessivo e afetado de Bento.POR ISSO,A visão de Nailor é pessoal. Sua conduta em rede nacional anexa-se a uma tese defendida em sua propriedade particular. É, no mínimo, equivocada a intenção de vender esta teoria para que seja a única resolução da problemática machadiana  em D.Casmurro, diante do eixo da dúvida; o elemento precioso na construção desta instigante narrativa.


Enquanto leitores, acentuados pelo concurso vestibular, não nos permitamos cair no contexto pessoal ou desinformado. Acerca deste romance, realço o que disse em aula: Por mais que defendamos uma bandeira – houve ou não traição – o material, o texto não permite sua conclusão. Há lacunas em Bento; sua alma perturbada pelo fracasso de sua vida, então,  exala uma tentativa de convencer-se -E CONVENCER-NOS- de sua constatação. Nós, cientes dos fatores, desconfiamos de sua legitimidade, justamente, a partir da falta de embasamentos (não há provas, uma foto, um flagrante, uma confissão...) e também pelo núcleo do caso ser defendido por apenas um dos lados, sem direito de defesa ou enunciação dos acontecidos por outra parte envolvida.Espero ter atingido aos que buscavam respostas sobre este especifico causo.





LANÇO-lhes, ainda, para finalizar, palavras de Alcir Pécorra, professor da UNICAMP, para reforçar o que defendo aqui: “É importante considerar o fator já mencionado do “ponto de vista” de quem narra — Bento Santiago — e não, certamente, Machado de Assis. Cabe a Bentinho “o critério para organizar o material narrativo de dentro da ficção ou de fora dela” (estou citando uma definição de Raúl H. Castagnino, crítico argentino). Em outras palavras, Bentinho narrador ilumina a seu bel prazer o que Castagnino chama de “ângulos especiais” da narração.As provas coligidas pelo narrador de Dom Casmurro parecem circunstanciais: a semelhança do seu filho com Escobar, amigo do tempo do seminário; os famosos “olhos de ressaca” ou “olhos de cigana oblíqua e dissimulada” atribuídos a Capitu; as lágrimas de Capitu no enterro de Escobar, amigo do casal; certas atitudes dúbias que o narrador surpreende em ambos. Tais indicações não chegariam a configurar um caso de adultério; seriam, quando muito, suspeitas — mas a crítica, embalada pelo discurso emotivo de Bento Santiago, e pela deliberada ambigüidade do texto machadiano, aceitou-as como provas conclusivas”.


LINK DA ENTREVISTA:

http://www.youtube.com/watch?v=x4gFXeihL5k


domingo, 1 de abril de 2012

LEITURAS OBRIGATÓRIAS

Concurso Vestibular 2013
LEITURAS OBRIGATÓRIAS PARA A PROVA DE LITERATURA DE LÍNGUA PORTUGUESA

Buenas, 

Registro, principalmente aos meus alunos, a divulgação oficial da COPERSE sobre as LEITURAS OBRIGATÓRIAS. Fato é que, diante das novidades introjetadas no Vestibular de UFRGS, no que tange a Literatura, as Leituras Obrigatórias, tão relevantes para este concurso, ganharam um destaque maior, valorizando a presença de questões que exigia a leitura prévia dos romances pré-estabelecidos.

Neste ano, neste trabalho Pré-Vestibular, considerarei as já divulgadas obras, publicando alguns materiais sobre, especialmente, o vestibular da Federal do RGS.










Eu elenco o evento que marca, tradicionalmente, a prova de Literatura de Língua Portuguesa, a cada ano, no processo seletivo da UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL, a UFRGS.

É, no mesmo sistema cíclico, comumente conhecido, em que 4 obras são substituídas por outras 4 correspondentes de semelhante período, gênero, permanecendo por 4 anos até seu esgotamento e  posterior troca, também.


Destaco dois autores - dentre os 4 que incorporaram a lista. Em outra ocasião, comento os outros dois. São pequenas informações para serem aprofundadas em aula. 



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A lista trouxe o poeta barroco, Gregório de Matos, o "Boca do Inferno", alcunha reconhecida devido sua ousadia crítica. O poeta foi inserido na lista, portanto, pondo em voga 25 poemas de sua autoria, dentre o vasto legado do mesmo. Há um importante registro sócio-cultural de referido período. 

Há uma aparente exaustão na leitura dos poemas selecionados, porém, a temática engessada, em certo aspecto temático, sendo recorrente em diversos versos, dão maior panorama de seu legado. Assim, não há um elemento singular para ser extraído e interpretado dentre os 25;  há um registro mais amplo no qual se concentra a temática gregoriana. Por isso, ao depreender a leitura dos lincados, plenamente, se observará o ponto de contato dos assuntos mais comuns ao poeta.

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Outro, Esaú e Jacó( de Machado de Assis) - pertencente da 2ª fase do autor fundador do realismo brasileiro - apresenta a maturidade estética e elementar do "bruxo do Cosme Velho".Há uma clara evidência ao texto hebraico do Velho Testamento cristão, os filhos de Isaac e Rebeca, os gêmeos bíblicos. Os protagonistas do romance, Pedro e Paulo, são igualmente gêmeos.

Percorre um caráter político no subterrâneo da obra, acerca das considerações históricas da República.

A obra representa o apogeu do domínio narrativo de Machado, o nome maior da Literatura Brasileira.

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Para o Concurso Vestibular de 2013,

 será exigida a leitura prévia e completa das seguintes obras:



1.GREGÓRIO DE MATOS GUERRA - Seleta: 1 - A Nosso Senhor Jesus Christo com actos de arrependimento e suspiros de amor (Ofendi-vos, Meu Deus, bem é verdade); 2 - A Jesus Cristo Nosso Senhor(Pequei, Senhor, mas não por que hei pecado); 3 - Inconstância dos bens do mundo (Nasce o sol, e não dura mais que um dia); 4 - À cidade da Bahia (2) (soneto) / (Triste Bahia! ó quão dessemelhante);5 - A Maria dos povos, sua futura esposa (Discreta e formosíssima Maria); 6 - Epílogos (Juízo anatômico dos achaques que padecia o corpo da república...) / (Que falta nesta cidade? ...................Verdade);7- A uma dama (Vês esse Sol de luzes coroado?); 8 - A instabilidade das cousas no mundo (Nasce o Sol, e não dura mais que um dia); 9 - A certa personagem desvanecida (Um soneto começo em vosso gabo); 10 - Aos principais da  Bahia chamados caramurus (Um canção de pindoba, a meia zorra); 11 - À procissão de cinza em Pernambuco (Um negro magro em sufulié justo); 12 - Milagres do BrasilSão (Um branco muito encolhido); 13  - Retrato/Dona Ângela (Anjo no nome, Angélica na cara!); 14 - Contemplando nas cousas do mundo (Neste mundo é mais rico o que mais rapa); 15 - E pois coronista sou / Se souberas falar também falaras; 16 - Ao padre Lourenço Ribeiro, homem pardo que foi vigário da freguesia do Passé (Um branco muito encolhido); 17 - Define a sua cidade (De dous ff se compõe); 18 - Descreve a vida escolástica (Mancebo sem dinheiro, bom barrete); 19 - À cidade da Bahia (2) / (A cada canto um grande conselheiro); 20 - Aos vícios (Eu sou aquele que os passados anos); 21 -Descreve a confusão do festejo do Entrudo (Filhós, fatias, sonhos, mal-assadas); 22 - Solitário em seu mesmo quarto à vista da luz...( Ó tu do meu amor fiel traslado); 23 - Aos afetos e lágrimas derramadas (Ardor em firme coração nascido); 24 - Admirável expressão que faz o poeta de seu atencioso silêncio (Largo em sentir,
em respirar sucinto); 25 - Definição do amor – romance (Mandai-me, Senhores, hoje);





ALBERTO CAEIRO ( heterônimo de Fernando Pessoa) - O Guardador de Rebanhos;


MANUEL ANTÔNIO DE ALMEIDA - Memórias de um Sargento de Milícias;


MACHADO DE ASSIS - Esaú e Jacó;


JOÃO CABRAL DE MELO NETO - A Educação pela Pedra;


JOSÉ SARAMAGO - História do Cerco de Lisboa;


MOACYAR SCLIAR  - O Centauro no Jardim;


JOÃO SIMÕES LOPES NETO - Contos Gauchescos;


GUIMARÃES ROSA - Manuelzão e Miguilim ( Campo Geral e Uma estória de Amor);


DIAS GOMES - O Pagador de Promessas;


RUBEM FONSECA- Feliz Ano Novo;


CRISTOVÃO TEZZA - Filho Eterno;





OBS: Realço, a leitura integral das obras é de suma necessidade; evidentemente, há uma condição de estranhamento na idéia de ler todos os obrigatórios, devido a distribuição entre demais disciplinas, tendo que abranger todas as matérias. Procura-se abranger a totalidade, para  - na proximidade do vestibular-  dar tempo de revisar as leituras, ler resumos para relembrança, para análise mais profunda. Claro, na falta de comprometimento, de tempo, deve-se, minimamente, ter em mãos um resumo qualificado, mas que não substitui a leitura exigida.






Abraços, meus queridos.  Vamos ler, rumo ao sonho de conquistar a sua vaga!




                                                                                                                 Guilherme Suman

quinta-feira, 15 de março de 2012

DIA NACIONAL DA POESIA

Pois bem....

Isso andeja por um caminho que se alonga em sua academicidade, em suas discussões e propostas...

A constatação mais pessoal que encontrei para  mostrar minha definição de poesia, sinteticamente, foi: JANELA.

Pois bem, aí se perguntam alguns, de fato: Que diabos é isso?!
Janela, sim. Ora, quem se debruça sobre uma poesia, com olhos – muitas vezes – de estranhamento, de distanciamento, mas com boa intenção, haverá de desembocar numa janela de acasos.

Empresa tortuosa a dos poetas: abrirem janelas a quem resiste em não vê-las.

Por minha maneira, em verso ordinariamente simples, homenageio estes ilustres que abrem janelas pra dar graça e cor aos olhos de dentro da gente.

Arriscar-me-ei no terreno dos mestres, com sinceridade. Desculpem possíveis deslizes. O horário me é extremo, já que agora são 5 da manhã.



Balada ao poeta da sétima estrela

A janela entreaberta,
Mal e mal, deixa vaza;
A luz débil acerta
Uma das salas da casa.

O raio findo da tarde
Invade o interior da sala:
Átimo de serenidade,
Em que até o silêncio cala.

O ácaro dançarino,
Sob o lume da fresta,
Faz do facho,em desatino,
O palco que a luz empresta.

O vento soturno,
Aproveita a ocasião:
Na troca dos turnos,
Faz a sua composição.
O dia cedeu returno
Para a noite dar vazão,
Imprimindo sons noturnos
Na casa da invenção.

A sala desabitada,
Viu o soprar da ventania
Desfolhando a papelada
De cima da escrivaninha.
Quem será que, agora,
Ocupa'sta moradia?
Com telhados de aurora
E estrelas fugidias?!

Que será que lá dorme
Em catres de insônia?!
Com colchas tão disformes,
Petalada de begônias?!

Quem será que lá come
Aquele estranho suprimento?
Como se a própria fome
Se enfartasse do alimento.
Com sabor de tempo inverso
E um tempero mais forte:
É uma ceia feita em versos,
Dos que engabelam a morte.

Quem será que lá vive,
Nesta irreal condição?
E com quimeras convive,
Em consórcio co'a solidão.

Vive, assim,  tão louco, a esmo?!
A recitar para as estrelas
Que queria em si mesmo,
No céu dos olhos, contê-las?!

Quem será este cativo,
Que nos olhos tem um céu?
Que juraram que está vivo,
Eternal nalgum papel?!

Quem será este homem,
Que anda livre pelos versos?!
Que em si mesmo consome
A imensidão de universos.

Só que a casa está sem dono,
Sem o último residente...
Às traças, em abandono,
Em ruína decadente.

Por que dizem , pelas ruas,
Que lá mora uma PESSOA?!
Que bebe sonhos nas luas,
E se embriaga de garoas.

Que vive em todos lugares
Nos canteiros, nos QUINTAIS,
De quintanas, quintanares,
Pelos livros, nos jornais?!

Há na boca de entendidos
Um prudente discurso:
Como se o desconhecido
Tivesse mudado o curso.

Será que, por acaso,
Nesta casa ainda mora?
Não, ele reside nos ocasos,
Pendulando vida afora. 

A cada vez que proclamam
O seu legado invisível,
E até mesmo declamam
Sua vertente sensível.


Então, no entendimento,
Descubro do que  era feito:
De átomos de esquecimento,
 Mas resistente a este efeito.

O tempo apaga a matéria,
Mas perpetua talentos.
Pois na alma tem artérias,
Aonde correm seus inventos.

Não ficou para semente,
No impulso temporal.
Era gente como a gente,
Mas com ímpeto imortal.

O segredo vem eufórico,
Aos poucos, se descortina:
Há um ser fantasmagórico,
Por de trás das cortinas?!

Não! Está sombria, de fato,
Mas é desfeita de habitante.
A casa tem um contrato,
Só com os  livros da estante!

A residência era antes,
Abrigo de um só apenas:
Hoje, serve pra Cervantes,
Neruda,Machado, poemas...


Suspeitam que o morador
Fosse louco ou sinistro...
 Um recluso, um doutor,
Comensal  e até ministro.
Um gênio, uma escrava,
Uma duquesa dileta:
Na verdade, não passava,
Apenas de um poeta.

A papelada que a ventania
Espalhou por entre cantos,
Era o santuário de poesias
Do ilustre do recanto.

Dizem que ele persiste,
Pulsando em cada tema.
Que sua alma só insiste
Em renascer no poema!

E o suspiro final em cena, 
Veio à boca, por maleza;
Sua mão, firma co'a, pena,
Deixou-se cair na mesa.

Ao espirar, deixou escrito
Seu desejo nos poemas:
Queria viver proscrito,
Em sua sétima estrela.


                                                      Guilherme Suman

DIA DA POESIA






TODO DIA É DIA DE POESIA!


A poesia, arte escrita, textual, planificada em sua composição física. Uma das sete artes da humanidade, validando-se da própria linguagem para elevar-se ao status de arte.
O resultado é que foge ao físico, pois – intencionalmente-  a poesia é uma projeção estética que promove  fruição,  gozo pleno, elevação das idéias.

Há inúmeras maneiras de compreender e compor este tipo de texto, há particularidades, há influências estéticas – de acordo com as absorções culturais de dada época, período. Há, ainda, distintas maneiras de diferenciar poesia, a partir de seus tantos gêneros classificatórios.
Nem por isso, por outro lado, a compreensão de tal arte fica ao encargo de manuais, estatutos, como se a poesia fosse uma espécie unilateral de texto, propondo apenas uma única realização. Pode-se extrair diversas intelecções.

A poesia a partir da sua expressão lingüística, sua ligação  indissociável com a comunicação , aquém do aspecto artístico, possui uma estruturação, uma(des)construção bem definida,empreendendo sonoridades, musicalidades, contextos, " A poesia é a arte de comunicar a emoção humana pelo verbo musical"( René Waltz, apud Massaud Moisés, A Criação Literária - Ed.Cultrix).




                                                               Guilherme Suman

sábado, 3 de março de 2012

SE EU SOUBESSE O QUE DIZER, DIRIA EM PROSA





Este é o livro primogênito do meu amigo e colega, Lucas Reis Gonçalves. 

Um poeta infante, um novo prosador, uma descoberta; Lucas inicia seus passos no mundo literário com este livro diferenciado.

 Então, neste convívio na UFRGS, nesta amizade rapidamente conspirada, este jovem escritor me honra com o convite para apresentar sua primeira obra! Além, me intima para também fazer a orelha e a contra-capa. Evidentemente, com muita responsabilidade e inspiração, naveguei em seus versos,frases e me inteirei de seu micro-cosmo, suas escrituras. Assim, eu participo familiarmente da revelação deste Rei(s) que aproveita para olhar as coisas de maneira simples, bonita e sincera.

A foto da capa é outra manifestação de arte do amigo Luca,s pois além de um poeta "bem poeteiro"( como o próprio se permite alcunhar), o rapaz é um sensível fotógrafo.

Aqui, deixo um dos meus 3 textos que integram o Livro de Lucas. 
Ao passo, vou registrando, também, o trabalho desse e de outros irmãos.


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Sinopse do Livro:


Há um jeito atual, singular de encarar poesia neste Se soubesse o que dizer, diria em prosa, onde o poeta-prosador, Lucas Reis Gonçalves, investe no cotidiano, nos temas incomuns ao lirismo tradicional, para atrair seu leitor até uma estimulante viagem por entre ruas da imaginação.


 A poesia no limiar da prosa ganha voz e vez neste livro, com rápidas intenções de absorver-nos para seu particular universo de sentidos e sensações. Ler é ser tragado para o miolo da obra, é ser entregue por inteiro. Por isso, com a mão de Lucas, somos guiados até um turbilhão de idéias, certificando ao poeta que soube, enfim, com a inspiração e a conspiração de seus versos, dizer o que queria. 



A audácia fica por conta da irreverente plástica de sua poética, uma nova verdade onde o prosaico tem vida (não como dia vencido, mas sim como atento olhar sobre as coisas simples de nós mesmos); onde o leitor se identifica e, ao mesmo tempo, toma partido em seus conflitos humanos, ideológicos e espirituais. 


Se soubesse o que dizer, diria: 


- Leiam este tal Lucas, pois não haverá página que não tenha bons motivos pra dizer isso.



Guilherme Suman


sexta-feira, 2 de março de 2012

ABRINDO OS TRABALHOS

Inauguração....

  
Olá, povo! 
       Adentremos, meus caros, neste fértil campo da criação!

   Abro este espaço para o livre exercício da opinião, convidando todos para participarem, cada qual a sua maneira.


   Aqui, livremente, postarei alguns textos sobre Literatura, Cinema,Música, Teatro e cultura geral.

  Com destaque para as obras literárias que serão meu fiel cotidiano este ano. Oras estas que serão trabalhadas em minhas aulas para preparação dos vestibulares que estão por vir.

Acompanhe algumas críticas, dicas e propostas!

 Lembro-lhes que - algumas vezes- tomarei meu próprio partido para a análise, portanto, fiquem livres para o debate.
A casa é nossa!!

Sejam bem-vindos.

Atenciosamente,
                  Guilherme Suman